Caboclo é uma opção e não uma falta de opção.


Então, quando o Caboclo se apresenta como Aymoré,  não necessariamente ele foi um índio que teve por batismo esse nome, ele se apresenta como Tupinambá, Tupinambá foi um tronco cultural e linguístico, não foi um índio. 


Ele pode se apresentar como Caboclo Guarani, é, Caboclo – a gente já falou – Ubirajara, Icaraí, Guaraci, Caboclo Jurema – 


Jurema é o nome de uma árvore, jurema é o nome da bebida que faz com a árvore, jurema é o nome de um ritual, jurema é o nome da mãe, a divindade que habita aquela árvore. 


Existe jurema branca, jurema vermelha, jurema preta – e a Cabocla Jurema? 


Cabocla Jurema é alguém que traz essa força, essa energia, o seu nome é simbólico. 


Quantas Caboclas Jurema existem? 


Muitas Caboclas Jurema. 


Então, isso é hierarquia, isso é o simbolismo, mas todos os Caboclos – e aqui eu estou falando, é, Caboclo, Caboclos, Cabocla e quando eu digo Caboclo eu quero dizer: Caboclo e Cabocla – então, que entenda bem, Caboclos e Caboclas e não são apenas índios e índias, mas que representam uma cultura, uma força, um conjunto de valores, então o Caboclo traz para nós esse conjunto de valores. 


A gente falou da simplicidade, então quando o Caboclo se coloca como um homem simples e é esse um dos objetivos, a pessoa simples se sente a vontade e a pessoa arrogante, a pessoa soberba, a pessoa preconceituosa, esta pessoa vai precisar baixar um pouquinho o seu ego, essa pessoa vai ter que “descer do tamanco” e essa pessoa preconceituosa, arrogante, soberba, vai aprender a pedir a benção para o Caboclo, tomar-lhe a mão, beijar a mão e pedir a benção meu Pai porque é esse Caboclo, esse simples que vai lhe ajudar, que vai cortar as demandas, que vai limpar, que vai purificar, que vai dar um força, que vai dar uma energia, que vai ganhar a sua confiança, o seu amor, a sua fé e que vai transformar essa pessoa em alguém menos arrogante, alguém menos egocêntrico, alguém menos vaidoso, alguém menos soberbo porque agora ele começa a ver que também o Caboclo é uma imagem na qual se espelhar, também o Caboclo, é, naquele momento o Caboclo também é um objetivo e vida, também é representante de um conjunto de valores, de novos valores, representa uma mudança de paradigma, o Caboclo é um: 


Exemplo – exemplo de virtudes, exemplo de valores e ali o consulente seja quem for vai aprender a respeitar o diferente. 


Então, a Umbanda de uma forma subjetiva ensina o respeito ao diferente porque se o Caboclo está ali como homem simples e na maioria das vezes como um índio, você está aprendendo a respeitar essa cultura diferente, você está aprendendo a respeitar o homem vermelho, você está aprendendo a ser como ele, a adquirir essa humildade e pra aqueles que se acham muito sabidos, mas que na verdade são ignorantes porque ignoram a cultura do outro, que pensam que o índio é sem cultura, que na verdade ele é apenas de uma cultura diferente, que busquem mais informação sobre os valores dessa cultura.


A gente tem na história da colonização das três Américas, histórias lindas sobre os valores da cultura indígena e não é uma cultura apenas da cultura indígena Brasileira, ao incomum para os nativos das três Américas e para nativos do mundo inteiro. 


Existe uma carta de um chefe Seattle
(http://www.comitepaz.org.br/chefe_seattle.htm), escrita em 1854, endereçada ao governo americano em Washington porque naquele momento eles pretendiam comprar, o governo americano pretendia comprar as terras dos índios, com objetivo de retirá-los daquela terra, uma terra preciosa e coloca-los numa reserva, isso de fato foi feito nos Estados Unidos – eles montavam reservas e colocavam os índios morando naquelas reservas aonde eles passavam fome, passavam tudo quanto é tipo de dificuldade porque o índio estava acostumado a estar a sua terra que tinha abundância, ele vivia do búfalo, da carne do búfalo, vivia daquela cultura que existia ali que ele foi perdendo, foi obrigado a perder – Então, o chefe do Seattle, responde para o governo norte-americano: 


“Como é que se pode comprar ou vender o céu ou o calor da terra? 


Eu não sei. 


Como é que se pode comprar o ar, a água? 


A seiva que corre nas árvores é como o sangue que corre nas nossas veias. 


Eu não sou o dono da terra, eu sou filho da terra, como eu posso comprar ou vender a terra? 


Até eu que sou propriedade da terra e não a terra é a minha propriedade. 


Nós não tramamos a teia da vida, nós somos parte dela, nós respiramos o mesmo ar. 


Se você quer comprar a terra, então primeiro entenda que essa terra é sagrada para o meu povo, depois que meu povo morre, eles não se esquecem dessa terra. 


Eu não sei como é isso para o homem branco, o homem vermelho, talvez porque o homem vermelho seja ignorante, eu não sei como é para o homem branco. 


Se vocês vão comprar essa terra, se nós vamos vender essa terra, então vocês devem ensinar aos seu filhos que essa terra é sagrada, que os animais são sagrados e mais, o que acontecer a terra, acontecerá ao filho da terra. 


Se você cospe na terra, isso volta pra você, o dia que acabarem porque o homem branco extermina os animais, acabarem os animais, o homem morrerá também de uma profunda solidão, mas eu não sei dessas coisas porque eu sou um homem vermelho, mas de uma coisa eu sei – diz esse chefe Seattle, em 1854,  ele diz, ” eu sei que o meu Deus e o seu Deus são o mesmo Deus, eu só não sei porquê, por qual razão nos colocou nessa condição”. 


Então, isso é uma cultura, isso é um conjunto de valores. 


A Umbanda nos chama para incorporar o Caboclo, mas não apenas para incorporar o Caboclo, a Umbanda nos chama para incorporar os valores do Caboclo. 


Então, nós temos na Umbanda uma religião mediúnica, na qual a principal forma de mediunidade é a mediunidade de incorporação. 


A Umbanda é uma religião de transe mediúnico, a Umbanda é uma religião de possessão, a Umbanda é uma religião na qual em estados alterados de consciência, pelo transe mediúnico, unicamente pelo transe mediúnico nós ficamos tomados, possuídos, incorporados, manifestados de entidades que se apresentam em arquétipos. 


Então, não importa qual Caboclo você trabalha, ele traz um conjunto de valores incomum para todos os Caboclos e a Umbanda lhe chama não apenas para incorporar esse Caboclo, mas para incorporar os valores desse Caboclo para sua vida. 


Então, a Umbanda lhe chama para você operar um crescimento espiritual a partir dos valores do Caboclo, do Preto Velho, da criança, do baiano, do Boiadeiro, do Marinheiro, do Cigano, do Exu, da Pombagira, a Umbanda lhe chama a respeitar o diferente, pedir a benção para o Caboclo aqui, pedir a benção para o Preto Velho ali, dar a benção pra criança, aprender o respeito e o amor pelo Exu, pela Pombagira, respeitar uma mulher incorporada de Exu, um homem incorporado de Pombagira, respeitar e entender a manifestação espiritual: feminina no masculino, masculino no feminino, o diferente, os valores diferentes, as diferentes formas de olhar para a vida. 


Então, o Caboclo traz esses valores relacionados à natureza, à simplicidade e o Caboclo representa também a força, o Caboclo é sinônimo do homem forte, do guerreiro, do líder, então quando você incorpora o Caboclo, naquele momento, você – como somos mais de 90% dos médiuns de Umbanda são semiconscientes e aqueles que são inconscientes também estão aprendendo de forma inconsciente – então, ao incorporar o Caboclo se nós estivermos de mente e coração abertos, estaremos incorporando os valores do Caboclo, estamos nos “encaboclando”, nos “empoderando” no mistério do Caboclo, estamos nos tornando pessoas melhores.

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